Sexta a noite, chovendo, a sky não estava funcionando, parei e pensei: Por que não testar uma nova distro na minha raspberry? Há tempos vinha flertando com o Arch Linux, que é uma distribuição levinha e voltada para os ‘shiitas’ Linux. Pois bem, a oportunidade de testá-la chegou! A seguir, vou mostrar como gravar uma imagem no sdcard e em seguida como conectá-la ao wifi.

Se você não conhece o Arch Linux, recomendo primeiro acessar o site do Arch Linux para ARM, archlinuxarm.org . Nesse site encontraremos diversas imagens para os mais diversas Single Board Computers dentre elas as queridas Raspberry Pi.

Ambiente

Estou utilizando o Fedora 22 em PC x86_64, uma Raspberry Pi model B e um dongle wifi com chipset Realtek RTL8188CUS.

A imagem do Arch

A melhor forma de conhecer é mexendo, essa é a filosofia ‘hacker’, portanto mãos à massa!

Abra o terminal, e baixe a imagem usando o wget:

$ wget http://archlinuxarm.org/os/ArchLinuxARM-rpi-latest.tar.gz

Enquanto a imagem baixa, vamos instalar o bsdtar (se você já o tiver, pule esta parte):

$ sudo dnf install bsdtar

O BSDTar é uma implementação do Tar, para esse tutorial utilizaremos o BSDTar seguindo a recomendação do pessoal do Arch.

Vamos, também, criar duas pastinhas

$ sudo mkdir /mnt/{rootfs,boot}

Agora, insira o cartão sdcard(no meu pc /dev/sdb, cuidado pois no seu provavelmente será diferente, confira antes com o dmesg) no seu PC para criarmos duas partições nele usando o cfdisk:

$ sudo cfdisk /dev/sdb

Dentro do cfdisk, delete todas as partições do seu sdcard, em seguida crie duas novas partições primárias, a primeira com 100MB, tipo W95 FAT32 (opção c) e a segunda com o restante de  espaço e tipo Linux(opção 83). O resultado deve ser uma tabela como a mostrada abaixo:

    Device          Boot     Start      End  Sectors   Size  Id Type
>>  ./dev/sdb1      	      2048    206847   204800   100M   c W95 FAT32 (LBA)
    ./dev/sdb2              206848  4194303  3987456   1.9G  83 Linux

Com as partições criadas, vamos formataá-las, a menor com um sistema de arquivos FAT32 e a maior com um sistema de arquivos EXT4:

$ sudo mkfs.vfat /dev/sdb1
$ sudo mkfs.ext4 /dev/sdb2

A essa altura, o download da imagem do Arch já deve estar pronto. Descompacte-o na pasta /mnt/rootfs como root (não use o sudo) montada na partição Linux:

# mount /dev/sdb2 /mnt/rootfs
# bsdtar xpf ArchLinuxARM-rpi-latest.tar.gz -C /mnt/rootfs

A descompactação não deve demorar muito. Assim que acabar, monte a partição FAT32 em /mnt/boot e copie todos os arquivos de /mnt/rootfs/boot para dentro dela:

# cp -r /mnt/rootfs/boot/* /mnt/boot

Desmonte as partições e estamos prontos para decolar.

NOTA: Perceba que a desmontagem pode demorar um pouco devido a sincronização da memória com o sdcard, você pode acompanhar o andamento através seguinte comando:

$ watch grep -e Dirty: -e Writeback: /proc/meminfo

A sincronização se encerra quando o campo Dirty chega a zero.

Rodando a imagem

Insira o sdcard na Raspberry e conecte-a ao seu roteador via cabo. Conecte também o dongle wifi(caso você tenha um). Decubra o ip dela (no meu caso 10.0.0.102) e estabeleça conexão via ssh(user: alarm, pass: alarm):

$ ssh alarm@10.0.0.102

Se você tem o dongle wifi, precisaremos instalar alguns apps:

$ su
Password: root
# pacman -S wpa_supplicant dialog

Com as ferramentas instaladas, a habilitaremos o dongle,

# ip link set wlan0 up

E configuraremos a conexão:

# wifi-menu

Selecione sua rede e digite a senha. Simples, né?!

Se fosse foi desastrado como eu e errou a senha, basta apagar o arquivo de profile criado pelo wifi-menu:

# rm /etc/netctl/wlan-Rede

Se você conseguiu conectar a rede, e quiser que seu wifi sempre fique habilitado, rode o comando abaixo:

# netctl list
# netctl enable <resultado do comando anterior>

E agora?

Chegamos ao final do tutorial. Agora temos rede (sem fio! Uhul!) e um vasto caminho de conhecimento a percorrer. Um dos pontos fortes do Arch é a sua documentação e sua comunidade. Não deixe de visitar o forum e a wiki do projeto.

Divirta-se!

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